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17/04/2017
Pe. Carlito Bernardes

PÕE SENTIDO

 “Ó feliz culpa a de Adão e Eva que nos merecestes tão grande redentor”, assim expressava Santo Tomás de Aquino ao meditar na grandeza da salvação contrastando com a miséria do pecado, essa enorme discrepância, abismal realidade que celebra na Páscoa: a luz que dissipa as trevas, a dureza e a crueza do pecado que abre à realidade e à oportunidade da santidade uma nova vida que se inicia. Com a ressurreição de Cristo a tristeza da morte dá lugar à alegria da vida, e como os apóstolos, todos aqueles que viveram a morte de Cristo por meio das celebrações litúrgicas, acompanharam Jesus na última ceia na quinta-feira santa, participaram da vigília de adoração, meditaram na via sacra da sexta-feira santa, adoraram a santa cruz, sofreram as dores de Cristo por meio do jejum, da abstinência de carne, penitências e sacrifícios durante a quaresma, são capazes de viver a verdadeira alegria da ressurreição, somente os verdadeiros discípulos que acompanharam o drama da morte são capazes de viver a radicalidade da alegria da vida, são capazes de permear suas vidas de esperança, iluminar a drástica realidade paganizada pelo pecado com a luz do evangelho e com a alegria da graça. Viver a alegria da Páscoa não é mudar a realidade em que se vive, mas transformar a realidade que se vive dando um sentido salvífico e eterno a tudo que nos rodeia, assim, diante do esforço demoníaco de apagar essa luz de esperança acesa nessa festa da Páscoa, devemos iluminar nossa Páscoa dando seu verdadeiro sentido e vivendo em plenitude a esperança da vida.

A ressurreição de Jesus é a luz que ilumina a escuridão da miséria humana, a luz que clareia o sentido real da criação, a luz que mostra o caminho da felicidade. Mas por mais clara que seja essa luz, resplandecente seja seus raios, ainda hoje existe um esforço enorme de ofuscá-la, de apagar essa luz, desvirtuar seu real sentido e a Páscoa se torna um momento celebrativo do coelho, uma festa do chocolate e uma partilha de ovos adocicados. É necessário iluminar essas realidades e dar a eles o seu verdadeiro sentido; o chocolate: algo tão doce, deleitável, que tanto nos apraz, provém de um fruto tão sem gosto e de vez em quando amargo como o cacau, uma relação perfeita com a  Páscoa onde de uma realidade tão dura e trágica como a morte de Cristo surge algo tão doce e agradável como nossa redenção, por isso não nos envergonhamos da cruz, não é símbolo de tristeza e de morte, mas de alegria e salvação. O coelho se tornou símbolo da Páscoa pelo fato de sua facilidade de procriar com rapidez. Cristo com sua morte e ressurreição salva todo gênero humano e por sua cruz lava todos os nossos pecados e nos  constitui filhos de Deus, somos recriados na cruz de Jesus. O ovo é símbolo de nascimento, de vida nova, de passagem da escuridão para a luz, é o que acontece na Páscoa, passamos da escuridão de nossos pecados para a luz de nossa salvação.

Por meio da vivência de nossa Páscoa vamos iluminar as realidades paganizadas e mundanas dando a elas seu verdadeiro sentido. Temos que pôr um sentido sobrenatural nas realidades naturais, temos que viver no clarão desta celebração, na doce alegria do chocolate e da ressurreição, na heróica felicidade do ovo onde manifesta a vitória da vida sobre a morte e no imenso regozijo do coelho, pois apenas com um ato de Cristo todos nós somos dignos de sermos chamados filhos de Deus e recebermos por herança o Reino dos céus. E assim iluminar a escuridão das festas vazias e sem sentidos, de um paganismo que tenta apagar a luz de Cristo e um mundanismo que luta para abafar nosso grito de Aleluia, pois Deus não está morto, Ele vive e reina para sempre. Amém.

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